Domingo, Junho 04, 2006
Maio
Saiu pela rua de olhos fechados, sorrindo. Era maio e ela queria senti-lo plenamente. O mês mais anil de todos. O maio das flores nas calçadas, dos dentes-de-leão levados pelo vento e dos lírios brancos. Andava de olhos fechados porque esse azul a gente não consegue sentir com os olhos-sente-se com o tato, com a respiração, com os sons.
O mês perfumado trazia lembranças e pensamentos agradáveis. Como ela era feliz! Grandes êxitos nunca tivera, mas sua alegria de viver já lhe bastava. Riu novamente, com o vento brincando entre seus cabelos.
Uma chuva fininha principiou a cair e ela viu um arco-íris despontando no meio das árvores.
Um suspiro profundo cortou-lhe a garganta. A tarde desfazia-se em tons de amarelo.
Virou a esquina com um sorriso.
Teve a maior surpresa de toda a sua vida.
Na manhã respingante de orvalho, ela contemplava com expressão vazia o céu azul e as borboletas que por ali voavam. A forte chuva da noite, que substituíra a garoa da tarde anterior já tinha lavado-lhe o sangue, e agora sobre o corpo pálido e desanimado só permaneciam as marcas dos projéteis.
Os meses de maio são tão azuis!
[puppet on a string-sandie shaw]
Carmen "baviou" às: 4:36 PM
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