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Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Ela sorri e se corre para o telefone. Dessa vez, ela tem certeza, não vai ser nenhum parente chato ligando.
- Alô?
- Oi!
- Oi. Quem é? Voz estranha.
- Tô um pouco rouca. É a Lara.
- Tava mesmo esperando, hein? E a ligação das cinco que você tinha prometido?
- Dormi demais. E sonhei contigo. E com todas as meninas. Foi engraçado. Todo mundo na cozinha daqui de casa fazendo uma torta. De maçã. Só no sonho mesmo que eu acertei fazer torta de maçã.
- Eu adoro as tortas que você faz. Deixe de besteira.
- Ah, obrigada. Mas a Renata odeia.
- Ela odeia doces. Fresca.
- Como está sendo o dia?
- Nublado...brincadeirinha! Fui no clube, hoje.
- Ir para o clube num dia nublado...mas você adora ir pro clube, né?
- Adoro, sim. Mas nem vou tanto assim. Mamãe diz que o sol faz muito mal.
- Que bom que hoje não esteve tão quente. Pôde aproveitar à vontade, hein?
- Pude sim. Eu quero falar contigo.
- Comigo?
- Olha, ela se assusto-ou-ou...lálálálá...
- Assustei mesmo. Nesse tom de voz! Pensei que tinha acontecido alguma coisa ruim.
- Vai ter festa.
- Yupiiii!
- Sexta-feira. Casa da vovó. A Renata e a Karol vão. Ainda vou ver se não é muito longe para a Nara. E você também vai, porque eu estou mandando!
- E eu nem te disse os parabéns e aquele monte de coisas que todo mundo diz, eita...
- Nem precisa.
- Mas eu vou dizer outra coisa. Eu te amo.
- Eu também.
- Obrigada por existir e por me aturar durante onze anos.
- Ah, de nada. Eu sei que sem mim, o mundo não seria o mesmo!
- O meu, pelo menos, não!
- Tá tão meiga hoje...só porque é meu aniversário, né? Tem prova de Física amanhã. Melhor a gente desligar.
- Sim. Melhor mesmo. Te adoro. Beijos.
- Beijos.
- Tchau e mais mil beijos. A gente se vê amanhã.
- Vê sim. Agora tchau mesmo.
- Tchau mesmo.
Um dos segredos da felicidade é ter a Fernanda como melhor amiga.
Ouvindo: Melissa (Bidet)
Carmen ''baviou'' às: 12:06 AM
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Domingo, Novembro 20, 2005
Amaro
Sem sorrisos, sem afagos
Sem sonhos
E nem palavras bonitas
Escrevo este poema amargo.
Com cinismo, com pesares
Com rancor e com frias mágoas
Construo essas palavras.
Nas veredas de minha alma
Corre um rio estreito
E escuro
Feito todo de lágrimas.
Nos meus olhos castanhos
Há uma escura mata
Com uma perdida clareira
Chamada felicidade.
Ouvindo: Modern Way (Kaiser Chiefs)
Carmen ''baviou'' às: 11:29 PM
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Domingo, Novembro 13, 2005
Não iria mais falar nada. Não adiantava. Quem quisesse seguir seu rumo, que fosse. Não adiantava falar, tentar impedir. Estava na hora de parar de se preocupar com os outros. E olhar só para si mesma. Pelo menos por algum tempo.
E ela não estava bem. Fechara os olhos para isso, mas agora as dores, dúvidas e incertezas eram fortes demais para que ela não reagisse. Sentia-se mesmo como Nástienhka. Esperando por alguém que, se viesse, iria sanar uma dor antiga dentro dela. Mas ao mesmo tempo abriria outra ferida gigantesca dentro dela.
Já esperava por duas semanas. O moço de olhos de azeviche, mãos de pétala de rosa e perfume doce, com cheiro de proteção e afeto misturados. Um moço sempre atrasado, que sempre demorava a chegar. Mas essa era só uma lembrança. Uma bonita lembrança de uma mocinha sonhadora.
Ela sabia que se ele não aparecesse naquele dia, não viria nunca mais. Já era quase madrugada. Mas ela não percebia isso. Era novembro. E noites quentes de novembro sempre costumam congelar o tempo.
Pensava nele. Sua voz de rouxinol, suas palavras bonitas como a lua cheia que iluminava o rosto dela, seu sorriso tímido, nas coisas que ele gostava. Queria vê-lo logo e já se impacientava.
Sentou-se na calçada de cristal, feita de beijos passados e de sonhos despedaçados. Abaixou a cabeça, que pesava de tanta tristeza. Pensava as coisas mais tristes do mundo, quando seus pensamentos são interrompidos pelo som de passos. Os passos dele. Ergueu-se. Ele tomou suas mãos. Começou a falar. Cada palavra era um golpe dolorido. Ela já chorava. Ela o amava muito. Ele também amava. Outra moça.
Pronto. Ele havia falado. Melhor do que ser covarde e mentir por mais tempo.
Todo o corpo dela doía. A rejeição doía. O desamor matava aos poucos.
Foi para casa. Escutar Beatles e tentar dormir. Sonha com ele.
Ama-o. E isso vai demorar algum tempo para mudar.
Ouvindo: Eleanor puts your boots on (Franz)
Carmen ''baviou'' às: 10:13 PM
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Domingo, Novembro 06, 2005
Qualquer dia a gente troca sorrisos entre as coincidências do nosso descobrimento.
Qualquer dia eu adivinho todo o teu destino olhando só uma estrela.
Qualquer dia meu coração explode de amor só no relance do teu olhar, por um momento.
Qualquer dia a gente faz festa, a gente faz uma maré de felicidade transbordar dos nossos olhos.
Qualquer dia você esquece as datas, mas eu tenho um calendário feito com nuvens te esperando.
Qualquer dia, num longo abraço, a gente percebe um sol brilhando no peito do outro.
Qualquer dia a gente se perde nos jardins dos nossos sorrisos.
Qualquer dia eu te mostro um azul cor de cumplicidade.
Qualquer dia eu assisto um filme de terror contigo só pra poder te abraçar.
Qualquer dia a gente escuta Taiguara juntos, aquela música que me faz chorar.
Qualquer dia a gente planta lótus e rosas brancas na alma do outro.
Qualquer dia a gente ensina para as fadas o segredo da nossa paixão.
Qualquer dia a gente descobre que nossos beijos têm gosto de morangos e chocolate.
Qualquer dia a gente deixa de ser prático, e faz as coisas o mais lentamente possível.
Qualquer dia eu viro criança e te ensino a ser também.
Qualquer dia a gente abandona as convenções estúpidas, e sorri de quem nos lembra delas.
Qualquer dia a gente coloca um pouco da nossa felicidade dentro de bolhinhas de sabão e a faz viajar e se propagar pelo mundo.
Todo o dia a gente segue, morrendo de amor, segurando um lenço branco lotado de lágrimas e espalhando saudade por todos os lados.
Ouvindo: Volver A Los 17 (Mercedes Sosa)
Carmen ''baviou'' às: 10:05 PM
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